Cinzas de Vicência Brêtas são dispersas no Rio Vermelho em cerimônia marcada por emoção e poesia

Filha de Cora Coralina morreu aos 97 anos, em São Paulo; filho, Rúbio Tahan, levou as cinzas para a Cidade de Goiás e realizou a despedida às margens do rio
As águas do Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, receberam, no dia 20 de agosto, as cinzas de Vicência Brêtas, filha de Cora Coralina. A cerimônia de despedida aconteceu às 14h30, na Ponte da Lapa, e foi conduzida pelo próprio filho de Vicência, Rúbio Tahan, neto da poeta goiana.
Vicência morreu aos 97 anos, no dia 14 de julho, em São Paulo, após permanecer internada durante 50 dias. Segundo Rúbio, ela precisou passar por uma cirurgia que posteriormente teve de ser refeita. Para a família, diante da idade avançada, o organismo já apresentava limitações para enfrentar situações de maior complexidade.
Após a morte, a família decidiu pela cremação. O procedimento, segundo Rúbio, precisou aguardar o período de 72 horas e foi realizado no dia 18 de julho.
As cinzas volta à Cidade de Goiás
Depois da cremação, Rúbio retornou de São Paulo à Cidade de Goiás levando as cinzas da mãe para realizar uma homenagem em um lugar que tinha um significado especial para ela.
“Hoje, vim de São Paulo para trazer as cinzas da minha mãe e prestar essa homenagem, aproveitando também o aniversário de Cora Coralina”, contou Rúbio durante a cerimônia.
A escolha do Rio Vermelho não foi por acaso. De acordo com Rúbio, sua mãe tinha uma relação especial com o rio e esteve muito presente na preservação da memória e da poesia de sua mãe, Cora Coralina.
“Minha mãe gostava muito do Rio Vermelho e sempre esteve muito presente na poesia e na memória relacionadas à sua mãe, Cora”, afirmou.
Na Ponte da Lapa, Rúbio realizou a dispersão das cinzas nas águas do Rio Vermelho, em um momento de profunda emoção para familiares e amigos.

Uma homenagem entre poesia e memória
A cerimônia também reuniu pessoas que mantêm uma relação de carinho e admiração com a história de Cora Coralina e de Vicência. Após a dispersão das cinzas, personalidades goianas, escritores, advogados, empreendedores e convidados participaram de uma homenagem poética.
Poemas foram recitados e lembranças foram compartilhadas, transformando a despedida em uma celebração da memória.
Para Rúbio, a presença das pessoas tornou o momento ainda mais significativo.
“Nesta homenagem, recebemos muitos amigos, conhecidos e pessoas que gostam da Cora e também da minha mãe. Foi muito gratificante e emocionante para mim, e acredito que esse momento também tenha emocionado muitas pessoas que estiveram aqui.”
O Rio Vermelho e a memória de Cora Coralina
Na Cidade de Goiás, o Rio Vermelho ultrapassa a dimensão de um elemento da paisagem. O rio está profundamente associado à história da cidade e à obra de Cora Coralina, tornando-se também um símbolo da relação da poeta com a antiga capital de Goiás.
Foi nesse cenário que a família escolheu marcar a despedida de Vicência. As águas que atravessam a cidade passaram a guardar, simbolicamente, parte da memória de uma mulher que dedicou sua trajetória à preservação da história e do legado de sua mãe.
A cerimônia reuniu luto, poesia, memória e pertencimento, estabelecendo uma ligação entre duas gerações da família de Cora Coralina e a cidade que marcou suas histórias.
Ao final, a dispersão das cinzas de Vicência no Rio Vermelho tornou-se uma despedida íntima e, ao mesmo tempo, coletiva, acompanhada por aqueles que reconhecem na história de Cora e de sua filha parte importante da memória cultural de Goiás.
Higor César Ferreira- Texto e fotos